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A curiosa Jornada do Herói da mitologia e dos grandes sucessos de bilheteria

O que esse padrão que se repete nas telas do cinema tem a ver com a nossa própria psique?

Muitos estudiosos das mais diversas culturas mitológicas e religiosas notaram que algo semelhante acontecia em todas elas, como se fosse um padrão que se repetisse. Carl Jung e Joseph Campbell, dois grandes estudiosos dessa temática, propuseram que isso acontece porque a simbologia mitológica emerge do inconsciente coletivo.


Sendo assim, acredita-se que os mitos são manifestações de camadas profundas do inconsciente, e que eles revelam verdades sobre os desejos, medos e aspirações comuns a todos os seres humanos.


Campbell desenvolveu um “script”, a chamada Jornada do Herói, que seria esse padrão de repetição comum a todas as histórias mitológicas ou religiosas.


Grandes roteiristas, escritores e cineastas utilizam desse conhecimento para criar histórias que sejam atrativas ao seu público, porque gera conexão com a própria psique humana. George Lucas, por exemplo, se inspirou na obra de Campbell para criar a renomada saga de Star Wars. Também inspirado nessa teoria, Christopher Vogler, roteirista de Hollywood, escreveu A Jornada do Escritor: Estrutura Mítica para Roteiristas, servindo de guia para os roteiristas dos estúdios Walt Disney.


Resumidamente, as etapas da Jornada do Herói consistem no seguinte:


1) Chamado: se inicia com um chamado para viver uma aventura, algo desconhecido em que o herói tem a possibilidade de ganhar algo de grande valor. Esse chamado também lhe oferece uma oportunidade de crescimento;


2) Recusa ao chamado: nessa etapa, o herói começa a ficar de cara a cara com seus medos, suas preocupações e decide que talvez seja melhor ficar em sua zona de conforto, num mundo comum, que já é de seu conhecimento;


3) Ajuda sobrenatural: o herói encontra seu mentor que o incentiva a aceitar o chamado e lhe oferece treino e auxílio para embarcar na aventura;


4) Desafio: o herói encontra obstáculos e deve enfrentar seus inimigos, de forma que passa a aprender as regras de um novo mundo;


5) Conquista: depois de passar por testes e provações, o herói supera seus medos e se torna vitorioso;


6) Recusa do retorno: depois de toda a aventura e de descobrir um novo mundo, o mundo comum ainda precisa que o herói volte para que possa ajudar os outros que ainda estão lá, mas ele, encantado com o novo mundo, reluta em voltar;


7) Resgate Interior: um novo teste acontece e exige que o herói utilize tudo o que aprendeu para poder se salvar da morte. Quando ele obtém êxito, finalmente se sente pronto para voltar;


8) Retorno e Liberdade: o herói volta gloriosamente com a bagagem de tudo o que aprendeu e pronto para viver a vida que deseja e ajudar seu povo a fazer o mesmo.


Note que é comum que grandes personalidades que alcançaram um sucesso incomum, depois de uma tortuosa jornada rumo aos seus objetivos, também resolveram compartilhar (“voltar ao mundo comum”) seus conhecimentos com os demais a fim de facilitar a jornada pessoal de outras pessoas. Podemos citar como exemplo Henry Ford, Andrew Carnegie, Robert Kiyosaki, e inúmeros outros nomes.


No mínimo curioso, não? Somos os protagonistas de nossas próprias jornadas, cada um com suas peculiaridades, e isso é o que enriquece as interações humanas quando há compartilhamento e troca de experiências.



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