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A Matrix da informação

A Matrix da informação é realmente nociva? Ou é o grau de inconsciência humana?



O documentário The Social Dilemma, da plataforma de streaming Netflix, traz à tona a atual temática dos impactos das redes sociais sobre a humanidade.


A genialidade de personalidades como Larry Page (co-fundador do Google), Mark Zuckerberg (co-fundador do Facebook) e Michel Krieger (co-fundador do Instagram), para citar alguns, criou um sistema revolucionário que tornou fácil, acessível e instantânea a conexão entre pessoas e informações, sem qualquer limitação geográfica.


No entanto, os algoritmos e inteligências artificiais contidas nessas plataformas mapeiam todo e qualquer tipo de ação executada por seus usuários, sendo possível traçar um perfil psicológico e até prever o comportamento desses usuários, tornando-os vulneráveis e suscetíveis à manipulação.


Essas grandes empresas, apesar de fornecerem uma experiência gratuita, se alimentam da monetização de anúncios publicitários que fornecem aos seus usuários. A partir do banco de dados que possuem, podem facilmente mapear os interesses de cada um de seus usuários e fornecer anúncios que os interessem. Cada clique é convertido em receita para essas companhias que enchem seus bolsos conforme seus usuários navegam horas a fio nessas plataformas, que foram desenhadas para manter o público online o máximo possível.


Sob uma ótica, digamos que pessimista, parece que essas empresas bilionárias do Vale do Silício não se importam com as consequências do modelo de negócios que possuem, visando somente o crescimento dos seus ativos e muito lucro. Além disso, a facilidade de acesso, criação e propagação de informação abre muito espaço para uma verdadeira desinformação. Não se sabe mais o que é verdade, o que é fake news, pessoas comuns viram especialistas e especialistas caem no senso comum. Há espaço para todo tipo de opinião, até mesmo as mais radicais que difundem o ódio, a violência e a ignorância. Sem contar que se torna um excelente ambiente para instrução política das massas.


As redes sociais propiciaram a construção de uma vida em torno de um ideal perfeito, em que as pessoas ficam buscando por aceitação e validação de outras pessoas através de curtidas e outras interações que provocam uma injeção dos neurotransmissores do prazer na corrente sanguínea, seguida de um extrema sensação de vazio e, logo, aumenta a vontade de buscar por nova validação. É um looping sem fim. Como essa construção não tem fundamento em valores pessoais que a própria pessoa se atribui, e sim num ideal vazio que não existe, temos como consequência pessoas que se conectam superficialmente e se sentem solitárias. Ou, então, pessoas depressivas por não receberem likes suficientes ou não terem a aparência estética das celebridades.


No entanto, como o nosso objetivo é a expansão da nossa própria consciência e o desenvolvimento da nossa autorresponsabilidade, isto é, assumir que tudo que vivenciamos é projeção daquilo que somos, por que preocupar-se em ser manipulado? Ao passo que o ser humano toma consciência de si próprio, ele é perfeitamente capaz de analisar o ambiente ao qual está inserido, ponderar qual a funcionalidade do que se encontra diante dele e tomar decisões de forma consciente. Só é verdadeiramente manipulado quem se permite manipular. A partir do momento que criamos disciplina para agir conforme nossos valores e nossos ideais, sem se importar com a opinião da grande massa, nos tornamos livres.


Ademais, a nossa mente e o nosso cérebro, que é uma incrível máquina biológica, funciona como um computador, e está, sim, suscetível a ser programada por fatores externos. Desde que o mundo é mundo, o ser humano sofre manipulação da natureza, de outras pessoas, de jornais e imprensa no século passado... Por que, então, enxergar essas tecnologias como nocivas?


Quanto às receitas bilionárias das empresas envolvidas, o que há de tão errado nisso? Números são apenas resultados do trabalho de inúmeras pessoas que compartilham suas habilidades e usam sua inteligência para criar sistemas revolucionários. Quantas coisas boas esses softwares já nos proporcionaram? Tudo tem dois lados. Cabe a nós escolher de que lado queremos estar.


O verdadeiro problema não está nos nossos recursos atuais, e, sim, na própria humanidade que, ainda, é uma criança aprendendo a confrontar as suas próprias sombras à medida que a tecnologia da informação as coloca à luz. Tudo o que reside no inconsciente coletivo está aos poucos se cristalizando para que sejamos capazes de enxergar e melhorar o que precisa ser melhorado.


A chave para o desenvolvimento de uma sociedade mais harmônica é o desenvolvimento individual.

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