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Entenda as polaridades feminina e masculina

Não é sobre ser homem ou mulher, nem sobre sexualidade. É um entendimento mais profundo do que essas polaridades significam e como elas influenciam a nossa saúde e a forma como nos relacionamos com nós mesmos, com o outro e com o ambiente à nossa volta.

A filosofia chinesa taoísta e o tantra, por exemplo, são fontes que citam a existência de duas energias primordiais e complementares como origem de tudo o que existe. A manifestação ocorreria sempre de forma dual, como podemos perceber a luz e a sombra, o calor e o frio, o dia e a noite, o sol e a lua. Tudo é dual e acontece de uma forma polarizada. O taoísmo chama essas polaridades de yin e yang, o hinduísmo de Shakti e Shiva, e, na astrologia, temos como representantes dessas energias o sol e a lua.


Carl Gustav Jung, o suíço fundador da psicologia analítica, também realizou um trabalho reconhecendo essas energias, às quais ele deu o nome de animus (masculina) e anima (feminina). Tanto o homem quanto a mulher possuem atributos de ambas. Jung disse que quando a polaridade masculina reconhece a feminina e, quando a polaridade feminina reconhece a masculina, acontece o processo de individuação do ser, e este passa a ser completo.


No entanto, o que se observa é que esses atributos muitas vezes estão dissociados dentro de cada indivíduo. E a dissociação das polaridades resulta em uma tendência de unilateralidade na personalidade do indivíduo, gerando desequilíbrio. Sendo assim, uma mulher pode inclinar-se para o seu animus de forma negativa, agindo com frieza ao invés de despertar virtudes masculinas de coragem, dinamismo e capacidade de discernimento e juízo, bem como, pode inclinar-se para o seu anima de modo negativo, reprimindo suas emoções, sentimentos e intuição.


As energias masculina e feminina seriam, então, energias primordiais. Não possuem hierarquia, pois são complementares. Mas o que elas significam?


A masculina (yang) é sol, ação, produtividade, atividade, força, potência, projeção, clareza; ligada à razão, à mente racional.


Já a feminina (yin) é lua, escuridão, acolhimento, expansão, sabedoria, receptividade, recolhimento, introspecção, calma, entrega, criatividade; ligada ao emocional e à intuição.


No hinduísmo, Shiva representa o masculino, que é o vazio, a consciência, e Shakti representa o feminino, que é a criatividade e a manifestação do belo. A consciência masculina precisa da materialização feminina para se manifestar. E a manifestação sem consciência é puro caos.


Como isso tudo impacta a nossa vida?


Nosso sistema social está na polaridade masculina. Por essa razão, até a grande maioria das mulheres reprimiu a energia feminina para trazer à superfície a energia masculina como "questão de sobrevivência" numa sociedade predominantemente masculina (energeticamente falando). Existem muitas mulheres exauridas e infelizes, enquanto muitos homens, que também são extremamente masculinos, sofrem de diversos problemas emocionais. A polaridade feminina foi suprimida. Quando se explora somente um dos polos, vive-se a distorção, a agressividade, a competitividade. O resultado é uma sociedade doente em virtude do desequilíbrio. Outro reflexo disso são as mulheres que não aceitam a sua própria feminilidade, já que não se sentem valorizadas em um mundo que lhes "obriga" a ser masculinas. O resultado são homens e mulheres renegando o feminino.


Até mesmo a educação social é baseada num sistema muito yang, que cobra a extrema produtividade, o que acaba sendo destrutivo, vez que homens e mulheres suprimem cada vez mais seu lado yin.


Podemos observar isso tanto de pessoas quanto de cidades. São Paulo, Nova York são cidades com predominância yang, enquanto Rio de Janeiro já possui uma atmosfera mais suave da energia yin.


Quando essas polaridades estão em desequilíbrio, o masculino inclina-se ao poder deturpado, autoritarismo, agressividade, e o feminino inclina-se à inércia, letargia, passividade, submissão e depressão.


Por isso é muito importante você observar o tipo de energia que você mais utiliza no seu dia a dia. Se há predominância da masculina, como excesso de produtividade ou de uso da mente racional, talvez seja interessante buscar atividades para contrabalancear, como praticar hobbies, cuidar da saúde emocional, cercar-se de pessoas que te façam bem e atividades que proporcionam prazer. Já se ocorre predominância feminina, como apatia, depressão, talvez seja interessante adicionar maior dinamismo à rotina.


Isso vale também para os relacionamentos interpessoais e afetivos. É preciso uma boa dosagem das duas polaridades no indivíduo para que a própria relação também entre em harmonia. Como muitas mulheres estão numa inclinação mais yang, o que se observa é uma dificuldade de se relacionar com homens que também vibram na mesma polaridade. O resgate do feminino é importante tanto para homens quanto para mulheres. Somente assim, com acolhimento e aceitação dessa energia é que conseguiremos construir uma sociedade emocionalmente e racionalmente equilibrada.


Platão, no livro "O Banquete" faz menção ao Mito do Andrógino. Haveria três categorias de gênero humano: o feminino, o masculino e o andrógino (fruto da junção de ambos). Platão conta que Zeus, por sentir-se insultado pelos seres humanos, separou o andrógino, enfraquecendo-o, o que acabou criando uma humanidade debilitada e carente, que vive buscando suas metades, no intuito de unir-se novamente em um só corpo.

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